“O menino que vendia palavras”

Olá queridos leitores,
vejam o que Marisa Lajolo escreveu sobre o livro “O menino que vendia palavras”, autoria de Ignácio de Loyola Brandão.  O título consta no nosso projeto de leitura, direcionado ao 5º ano. Que delícia!!!

Beijos com um suspiro de poesia para todos!
Mírian Rocha

O menino que vendia palavras

Marisa Lajolo

Ignácio de Loyola Brandão, paulista de Araraquara, tem nome de santo e não é por acaso: nasceu no dia de Santo Inácio de Loyola, 31 de julho, em um tempo em que santos católicos inspiravam nomes para recém nascidos. E do nome dele, a nomes alheios, é só um passo: Loyola até hoje se lembra do nome de todas suas professoras: à Dona Lourdes, dona Ruth, Dona Dayse e Dona Noemi dedica O menino que vendia palavras (Objetiva, 2007), livro com que, em 2008, ganhou o maior prêmio brasileiro de literatura, o prêmio Livro do Ano de Ficção da Câmara Brasileira do Livro.

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Parece que a vida de Loyola foi desde cedo cheia de escritas e de leituras além de apitos de trem – seu pai era funcionário da Estrada de Ferro e sua casa era cheia de livros. Formado em escolas públicas de Araraquara, foi ainda em sua cidade natal que ele teve suas primeiras experiências intelectuais. De colaboração em jornais da cidade a artigos na Cláudia, na Realidade, Planeta, Vogue, Lui, Ciência e Vida o caminho foi longo e hoje o encontramos semanalmente em O Estado de São Paulo.
Para além do jornalismo, sua obra literária é vasta, variada, muito lida, reconhecida, premiada e traduzida. Estréia em 1965 com os contos de Dentes ao sol e em 1976 escreve seu primeiro livro para crianças e jovens, Cães danados que fazia parte de prestigiosa Coleção do Pinto .
Em O menino que vendia palavras, Loyola conta uma história que diz que é verdadeira. Mas, como ele também diz (numa entrevista) que gosta que os leitores pensem que seus livros têm fundo autobiográfico, a gente pode ficar com a orelha atrás da pulga. Será verdade? Provavelmente é, mas nem precisava ser, tão interessante ela é.
O menino que vendia palavras, como o título anuncia, conta a história de um menino que vendia palavras, isto é, que vendia o conhecimento do significado das palavras.Na verdade, quem sabia o que queriam dizer as palavras que o menino vendia era o pai dele, mas era o menino quem lucrava com este conhecimento paterno: desafiava os cole-gas a descobrirem palavras que seu pai desconhecesse e ganhava todas as apostas. Era pago com chicletes, balas, figurinhas, essas miudezas de criança.
A história é divertida e muito boa.
Dependendo do leitor, o significado dela passa por diferentes caminhos. Alguém pode se divertir com o livro, caindo na tentação de se comparar ao pai do menino, testando seu vocabulário: o leitor sabe o que querem dizer todas aquelas palavras, gorgolão, catáfora?Alguns empacam em procrastinar…
Já outros leitores podem encontrar no texto uma defesa apaixonada da leitura, prática da qual resulta a superioridade do homem que conhecia todas as palavras. Pode bem ser: esta interpretação é politicamente corretissíssima … Mas ler dicionário também aumenta o vocabulário e em outra entrevista, Loyola conta que lia o dicionário. Mas, quem é que briga com leitor? Ninguém deve brigar, leitor tem sempre razão. Sobretudo leitor alheio. Afinal, cada um faz o melhor que pode para atribuir significado ao que lê, e o melhor é entrar na contradança, e também rodopiar alguns palpites de leitora.

Por que gostei da história e acho-a muito boa?

O livro me impressionou como uma espécie de metáfora da profissão de escritor, história que bem pode ser lida como uma discussão do profissionalismo no mundo das palavras. Ai palavras, ai palavras, que estranha potência a vossa … adverte Cecília Meireles. E tem razão a poeta. Sua advertência é secundada por Veríssimo-Filho, que se define um gigolô das palavras.
Assim, gigolô ou vendedor de palavras, na outra extremidade do arco da leitura – este gesto que reúne quem escreve e quem lê- temos o leitor, voyeur da gigolagem, comprador de palavras empacotadas em livros. O leitor paga. E quem ganha? Em nossa tradição, escritor foi sempre uma categoria profissional muito mal compreendida e pior remunerada. Dizer que Fulano ou Beltrano é um escritor profissional não é uma forma de desqualificá-lo? Parece que é … As biografias de escritores cinco estrelas sublinham sempre que eles nasceram, viveram e morreram pobres, quando não miseráveis, como Lima Barreto no Brasil e Camões em Portugal.
Então, o menino que vendia palavras, protagonista da divertida e premiada história de Loyola bem pode ser emblema dos estratagemas e picardia de que escritores verdadeiros têm de lançar mão para que o produto de sua escrita se transforme em honroso ganha-pão.
Na história, a iniciativa do menino se embaralha na malandragem dos colegas, que o desafiam a descobrir o significado da inexistente palavra zaltrosa. O negócio desanda e o pai lhe prega um belo e oportuno sermão sobre logro, engano e negócios. Mas fica, no horizonte da história, uma idéia luminosa, a hipótese de um dicionário das palavras ainda por inventar…
Nesta passagem, talvez se possa ler outra metáfora, agora da literatura, livrinhos e livrões que se inventam a cada novo poema, a cada nova história. Como esta bela história que Loyola criou e a partir da qual seus leitores podem criar outra história: por exemplo, a história de zaltrosa, a pequenina flor que nasce apenas do lado de lá do Salto Grande, e que a princesinha da Morada do Sol pediu para o pastorzinho colher, como prova de seu amor …

Fonte: Tigre Albino: revista de poesia infantil. http://www.tigrealbino.com.br/livro.php?idvolume=a9ca1602e448bbedfa2b4a5b3fa4f10e#77a33d8312f217ea0a910e2405db1273

QUEM QUER BRINCAR DE HISTÓRIAS?

QUEM QUER BRINCAR DE HISTÓRIAS? Ler, reler, contar, recontar, criar e recriar histórias… que delícia! São processos que fazem parte da rotina escolar nas bibliotecas dos Colégios Ressurreição. Nas sessões de contação de histórias, nas rodas de leitura ou mesmo nas rodas de conversa, não falta imaginação e criatividade para os nossos alunos! E por falar em imaginação e criatividade, que tal aproveitar a Semana Nacional do Livro e da Biblioteca (23 a 29 de outubro) para brincar de criar histórias? A Editora Matrix lançou um produto muito interessante: “A fantástica fábrica de histórias para crianças”, autoria de Paulo Tadeu. São 40 cartões contendo inícios de histórias, onde as crianças poderão dar continuidade da forma como desejarem. Disponível nas livrarias e no site da editora:

http://www.matrixeditora.com.br/

Vamos caprichar nas histórias!!!

fantasia

Mírian Rocha

NOVO TÍTULO DE IVAN ZIGG

 

   Ivan Zigg lança mais um livro… vale a pena conferir! No nosso Projeto de Leitura vocês podem constatar as ilustrações muito engraçadas que o autor criou para o livro “O menino que chovia”.   Quem tiver interesse em conhecer o trabalho do Ivan, clique aqui http://ivanzigg.blogspot.com/.  

Boa leitura!

 Bjs  

 Mírian Rocha  

Ivan Zigg lança um livro da hora!

sominuto

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